POESIA VISUAL E DESIGN GRÁFICO: conexões - GuilhermeLaurente/DebreixDigital GitHub Wiki
[...] as relações entre poesia visual e design gráficos são evidentes, porém pouco abordadas nos programas dos cursos de graduação e pós-graduação em design. [...]
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[...] a função poética da linguagem, representa ganhos expressivos do ponto de vista epistemológico e para os processos de criação em design, [...]
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[...]A poesia enquanto peça visual pode beneficiar-se dos mesmos elementos básicos de qualquer outro projeto de design em seu processo de criação e configuração, que segundo Lupton (2008) são: ponto, linha, plano, ritmo, equilíbrio, escala, textura, cor, figura/fundo, enquadramento, hierarquia, camadas, transparência, tempo e movimento; tudo isto somado ainda às possibilidades linguísticas, torna a poesia visual uma linguagem rica e cheia de significado. [...]
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[...]Há também mais um importante fator a ser lembrado sobre este assunto: sua multidisciplinaridade que envolve o estudo e a exploração de diversas linguagens na sua criação e produção (poesia, diagramação, ilustração, tipografia, fotografia, animação, design gráfico/digital, e várias outras). [...]
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[...]Miranda (2005) ressalta que para se compreender as bases da poesia visual, é importante lembrar que ela é , antes de qualquer coisa, uma tentativa de vencer o domínio da gramática, de romper com a ditadura da forma discursiva do poema, ou mesmo de superar a construção da prosa na poesia. Em entrevista concedida à autora em 2013, Omar Khouri, poeta, artista gráfico, editor, professor e crítico de linguagens, considera o termo Poesia Intersemiótica uma denominação perfeita para esse tipo de manifestação [...]
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[...]A exploração do grafismo na poesia chegou ao Brasil apenas nos primeiros anos do século 20, inspirando poetas brasileiros na conformação do que mais tarde seria chamado de Poesia Concreta - e que, segundo Campos (2012), viria afirmar-se como movimento a partir da década de 1950 [...]
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[...]Em São Paulo, Décio Pignatari e os irmãos Augusto de Campos e Haroldo de Campos haviam iniciado pesquisas sobre novas formas de expressão poética [...]
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[...]Segundo Amaral(2013) e Schenberg (1977), eles iniaram o grupo e publicaram a revista Noigandres em 1952, ainda antes do aparecimento do movimento concretista de São Paulo. Depois houve aproximação entre os poetas e artistas visuais. O segundo número da Noigandres (1955) continha a série de poemas Poetamenos, escritos em 1953 por Augusto de Campos e considerados os primeiros exemplos consistentes de poesia concreta no Brasil [...]
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[...]Segundo Secchin (1991), após este núcleo Noigandres vieram os seguidores Pedro Xisto, José Lino Grünewald, Ronaldo Azeredo, que organizaram-se em torno da revista INVENÇÃO. A partir de 1962, a revista atingiria cinco números. O poeta Paulo Leminski (1944 - 1989), estreou em 1964 com cinco poemas na revista INVENÇÃO, dirigida por Décio Pignatari, em São Paulo [...]
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[...]A poesia concreta foi tão marcante, que ainda hoje é confundida com o termo "poesia visual" de modo geral. No entanto, nem toda poesia visual é poesia concreta - isto porque há uma série de itens que caracterizam a poesia concreta como tal: a eliminação do verso; o aproveitamento do espaço em branco da página para disposição das palavras; a exploração dos aspectos sonoros, visuais e semânticos dos vocábulos; o uso de neologismos e termos estrangeiros; decomposição das palavras; possibilidades de múltiplas leituras. [...]
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[...]Gullar defendia que a poesia visual deveria reaproximar-se da intuição do autor e do sentimento do leitor, ao invés de seguir em rumo a uma arte não-figurativa impessoal e abstrata; além disso, a estruturação do poema no espaço e superação do verso como unidade rítmico-formal não deveria limitar-se ao uso do espaço bidimensional [...]
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[...]Observa-se uma tendência do uso da plataforma digital como ferramenta de elaboração e reprodução das poesias, tendo em vista que permite muito mais possibilidades ao artista. Uma ação que iniciou em 1974 - em Pirajuí, interior, e depois São Paulo, capital - e subsiste na contemporaneidade é a resvista ARTÉRIA, editada pela Nomuque Edições. Segundo Khouri (2011), entre as revistas mais empenhadas com a experimentação, foi ARTÉRIA a que mais se metamorfoseou, a que com o passar do tempo mais se especializou na poesia intersemiótica e/ou intermídia. Desde o seu princípio, a revista tem por obejetivo o uso de diversos suportes, e não apenas papel. Ainda hoje é possível encontrar na internet a ARTÉRIA 8, uma publicação digital que desde o ano 2003 reúne poesias visuais e animadas de cerca de 40 participantes e está em constante atualização e crescimento. A revista conta também com edições "tradicionais", a exemplo da revista ARTÉRIA 6, impressa toda em serigrafia, e a ARTÉRIA 7 (AR7ÉRIA), feita em offset. [...]
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