O Poeta da Matemática por Luciano Bitencourt - GuilhermeLaurente/DebreixDigital GitHub Wiki

O ângulo de 90° graus pode ser muito mais do que a abertura de duas semi-retas. Vai além do encontro do chão com a parede. É Gastão Debreix quem diz. Ou melhor, quem escreve. Aliás, é ele quem literalmente mede as palavras. Como poeta, faz contas e, subtraindo operações, o faz-de-conta.

Nascido em Guaiçara (SP), em 1960, Debreix sofreu desde criança a influência de vértices e radianos. Em Pirajuí (SP), na oficina do pai, o então professor de Desenho Industrial na escola.., aprendeu a lidar com medidas e nelas descobriu a gramática dos números – a engenharia ortográfica.

O tempo do prego, o mergulho no vão, o peso do vento, a velocidade do carretel, a sagração do botequim. Em diferentes extensões, invertidos, consecutivos ou adjacentes, estão todos lá presos à casa-grande, uterina e velha. Concomitante, livres à Penitenciária “Dr. Luiz Gonzaga de Oliveira”, onde Debreix atuou como agente de segurança e descobriu as propriedades técnicas e, então, obtusas da sua obra.

Foi nesse mesmo tempo, ao término da década de 1980, que, solto, o poeta iniciou dentro do universo carcerário a diligência pela identidade concreta de sua linguagem. Em Letra Set e serigrafia expôs a busca tímida pela aritmética do ponto, da vírgula, do acento (agudo ou circunflexo) e do asterisco. E, desse modo, equacionou a atenção de nomes importantes da poesia contemporânea como Omar Khoury e Paulo Miranda.

Com Debreix, o traço fora verbalizado. A métrica alcançou a congruência.