Gastão Debreix - GuilhermeLaurente/DebreixDigital GitHub Wiki
Gastão Debreix nasceu em 1960 na cidade de Guaiçara, interior de São Paulo. Ainda criança, em Pirajuí, Gastão se encontrava imerso num ambiente artístico devido aos pais, alunos do extinto curso de Artes Industriais na Universidade de Ribeirão Preto. O artista conta em entrevista que sua casa seria como extensão do câmpus, onde seus pais desenvolviam trabalhos de cerâmica, gravura, entalhe, entre outros.
Quando jovem, Debreix veio a ser aluno do próprio pai no curso de marcenaria da Escola Industrial de Pirajuí e desde então passou a cerca-se de técnicas e processos industriais que mais tarde viriam a ser incorporadas em suas obras. Após o fechamento da escola, seu pai montou uma oficina nos fundos da casa, continuou a dar aulas e trabalhar como mestre marceneiro. Dessa forma, trabalhando com seu pai, Gastão pôde desenvolver não apenas suas técnicas e habilidades como também a paixão pela arte e pelo ensino.
Em 1985, Debreix começou a trabalhar como agente de segurança na penitenciária “Dr. Luiz Gonzaga de Oliveira” em Pirajuí com o objetivo de ter um salário fixo que pudesse financiar seus estudos. No ano de 1989, com 27 anos, Gastão ingressou no curso de Educação Artística da Unesp de Bauru. Porém, mais do que apenas bancar as viagens noturnas de Pirajuí a Bauru para frequentar as aulas, o presídio permitiu que Gastão estivesse novamente em meio a uma oficina, dessa vez como responsável do setor de serigrafia. Assim aprendeu junto aos detentos a técnica que seria um de seus principais meios de expressão durante sua carreira artística.
Segundo o artista, que admite ter preguiça de desenhar, a serigrafia fora uma revelação, um achado, pois permite o controle total sobre tiragem, tamanho, cores e principalmente sobre o substrato usado, sendo possível a impressão em vidro, metal, papel, tecido, madeira, entre outros... Além da versatilidade da técnica, Gastão conta acerca da liberdade de composição que ela lhe proporcionava, seus caligramas e poemas visuais que começara desenvolver na faculdade não se limitavam mais a datilografia e a Letra Set, ferramentas comuns na época. Dessa forma, Debreix passou a produzir e imprimir seus poemas e panfleta-los na universidade e em bares da cidade.
Estes trabalhos chamaram a atenção de Omar Khouri e Paulo Miranda, poetas e editores da NoMuque Edições, que convidaram Gastão para colaborar na 5ª edição da revista ARTÉRIA com dois de seus poemas: "Varal" e "Por do Sol", ambos de 1988. Daí em diante Debreix tornaria-se assíduo na publicação, colaborando com poemas em outras três edições (ARTÉRIA 6,7 e 10).
Ao final da faculdade, já morando em Bauru, o artista já lecionava na UNESP e assim continuou passando pelo SESI e pelo curso de design do antigo IESB, conhecido hoje por UNIESP. Desde 2010 atua na Divisão de Ensino às Artes, da Secretaria de Cultura de Bauru ministrando aulas de serigrafia, marchetaria e pintura-contemporânea, além de promover cursos em sua oficina.
Do verbal ao não-verbal: um fazedor que transita entre os muitos códigos, um poeta, como se diria lá pelos idos de 70, intersemiótico.
Omar Khouri sobre Gastão Debreix
Gastão participou de diversas exposições e mostras, não somente no Brasil como também Estados Unidos, Hungria, Coréia do Sul e Alemanha, sendo que a última delas ocorreu de 14 de maio a 14 de junho na galeria virgilio em São Paulo, onde o artista pôde expor as diversas fases em seus mais de 30 anos de carreira artística.
Tramas
Não foi apenas a serigrafia que Debreix aprendeu com os detentos da penitenciária de Pirajuí. O artesanato popular de domínio público chamado por Gastão de "trama" era confeccionados pelos internos como forma de distração resultando em pequenos objetos de decoração. Gastão explorou (e ainda explora) as infinitas possibilidades de uso e aplicação desta "técnica", de pequenos módulos a longos trançados, de jornais e revistas a latarias e embalagens pré-processadas da indústria alimentícia, de composições serigráficas em papel, telas, lonas, etc... a graffitis e stencils nas ruas da cidade.

Trama – Jornal trançado
II Studio Internacional de Tecnologias de Imagem
Unesp/Sesc Pompéia SP – 1991

Trama – detalhe – jornal trançado
II Studio Internacional de Tecnologias de Imagem
Unesp/Sesc Pompéia SP – 1991

Trama Jornalística
105 x 96 cm – serigrafia, tinta vinílica sobre lona plástica – 2009

Trama Orgânica
100 x 72 cm – serigrafia com terra, areia, carvão,
cinza, tijolos, cerâmicas maceradas e tinta vinílica sobre tela – 2011

30 x 20 cm – serigrafia com pó de serra, areia, carvão
e terra sobre tecido colado em papel – 2002
tiragem: 1/1
Madeira

Retrato 3 x 4 – Perfil e Topo
45 x 35 cm – marchetaria de madeira maciça
Galeria Angelina W. Messenberg – 27/10 a 10/11/2000
Centro Cultural de Bauru, SP

Caixotes
Homenagem a Geraldo de Barros
ø 55 cm – colagem com reaproveitamento de madeira pinus
Galeria Angelina W. Messenberg – 27/10 a 10/11/2000
Centro Cultural de Bauru, SP

Estudo para estamparia de estofados
60 x 40 cm – marchetaria de madeira maciça – 2000
Galeria Angelina W. Messenberg – 27/10 a 10/11/2000
Centro Cultural de Bauru, SP


Xadrez Cidade
2006

Mesa Ralo Rato
1996
Poesia Visual

Diálogo
70 x 50 cm – serigrafia sobre papel – 1990
tiragem: 10
Publicado em Revista Artéria 7
São Paulo: Nomuque edições. Segundo semestre de 1991

1,5 m de poesia
42 x 32 cm – serigrafia sobre papel – 1996
Inspirado no soneto Fita Métrica 1,40 m, de Paulo Miranda
tiragem 10 exemplares
Publicado em Revista Artéria 9
São Paulo: Nomuque edições. Segundo semestre de 2007

Poesia Dado – fotografia e arte digital – 2010


Poesia
15 x 21 cm – serigrafia sobre papel – 1991
Publicado em Revista Artéria 6 (Quadradão) 31 x 31
São Paulo: Nomuque edições – 15/4/1993, Augôsto Augusta, MIS, SP


Por do Sol
22 x 16 cm – original em letra transferível, serigrafia sobre papel – 1988
Publicado em Revista Artéria 5 – Fantasma, 1988

Varal
22 x 16 cm – original em letra transferível, serigrafia sobre papel – 1988
Publicado em Revista Artéria 5 – Fantasma, 1988
Formação:
Educação artística, habilitação em Artes Plásticas.
Unesp Bauru, 1992
Participações:
- Revista Artéria – Sons & Dons – Ano I nº1 – Agosto 1990, Secretaria da Cultura de Santos SP.
- XV Sarp – Salão de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto – 17/8 a 17/9/1990, Casa da Cultura.
- Revista Artéria 5 (Fantasma) Poesia Visual. São Paulo: Nomuque edições, 74/91 de 10 a 21/4/1991, Masp SP.
- II Studio Internacional de Tecnologias de Imagem – Sesc/Unesp – 7/6 a 4/8/1991, Sesc Pompéia SP.
- III Bienal Nacional de Santos – 1 a 30/10/1991, Centro de Cultura “Patrícia Galvão”.
- Grupo A-Z Arte Eletro Imagens Paris – Xántus János Múzeum – 23/5 a 28/6/1992, Gyor – Hungria.
- XVII Sarp – Salão de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto – 26/6 a 26/7/1992, Casa da Cultura.
- VIII Mostra Universitária de Artes Plásticas – Fasm – 1 a 30/9/1992, Fac. Santa Marcelina – SP.
- Revista Artéria 6 (Quadradão) 31×31 – São Paulo: Nomuque edições – 15/4/1993, Augôsto Augusta, MIS, SP.
- Paraver – Poesia Visual – 25/8 a 10/9/1993, Fac. Santa Marcelina, São Paulo.
- I Bienal Art Eletro Imagens – 5/5 a 2/6/1994, Haus Ungarn, Berlin.
- II Bienal Art Eletro Imagens – 6 a 23/10/1994, Varzely Múzeum, Budapeste, Hungria.
- Mostra Nacional de Poesia Visual – 30/6 a 14/7/1995, Natal, RN.
- I Electrographic Biennal – International Copy Art Expo – 10 a 20/3/1995, Seoul, Coréia do Sul.
- Individual – Oficina Cultural Regional “Glauco Pinto de Moraes” – 24/9 a 11/10/1995, Bauru SP.
- XXI Sarp – Salão Nacional de Arte Contemporânea – 28/6 a 25/8/1996, MARP, Ribeirão Preto.
- 1a Biennale Internationale des livres-objets, maio a junho/1997, Gyor, Hungria.
- Individual – Gravura, Objeto, Pintura – 12/9 a 30/11/1997, Ópera Chopp, Bauru, SP.
- Individual – Galeria Angelina W. Messenberg – 27/10 a 10/11/2000, Centro Cultural de Bauru, SP.
- Revista Artéria 9 . São Paulo: Nomuque edições. Segundo semestre de 2007.